sexta-feira, 27 de abril de 2012

Parados

Tinha o horário marcado. Não, esqueceu-se e acordou atrasado que desistiu. Se fosse caso de vida ou morte, já estaria velando a missa de sétimo dia. Tinha olhos virados, parados à janela, vendo o mundo passar. Conforme o tempo passava, se integrava ao passado - não havia nada que lhe chamasse a atenção para o hoje. Nem a memória. Os jornais acumulados à porta, a geladeira cheirava podre, e nada afirmava que vivia ali. Olhos atentos, como bolas de vidro, fixas. Estava ali parado ou pararam ele ali? Por hoje, fico sem resposta, porque olhando para ele, também parei.

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Hoje estou um pouco desconcentrada. Muitas coisas passam rápido à mente, com ideias que não acompanham o compasso da realização. O corpo é estático e, quando não, move-se devagar. As nuvens no céu são mais velozes do que eu, apesar de corpulentas. Fazia tempo que não escrevia, fiquei acumulando histórias até que algo valesse a pena ser lido. Neste momento, estou entre a cruz e a espada: nada vale ou tudo vale?

Beijos!

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