segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Em companhia

Enquanto a lua crescia no céu, cresceu em meu peito uma admiração. Não conseguia olhar seus olhos diretamente, eram penetrantes demais. Senti-me árvore jovem perto daquele jacarandá robusto em forma de gente. Menininha demais, cheia de frivolidades.


Elogiou meus frutos, minhas frases soltas. E eu, ainda com palavras escassas pela seca que me afligira, tentei criar frutos doces e suculentos. 


Coma, prove de minha essência. É pouco, mas é o que tenho. Minhas raízes em minhas entranhas procuram um caminho novo, novos verbetes para traduzir novas sensações. Quero compartilhar o bem que tua sombra me traz. E sim, só de estar ao lado já resgato em mim algo que não pensava conseguir mais: paciência, devaneios livres de julgamentos, minha essência em prosa e poesia. 

domingo, 30 de agosto de 2020

De um oceano

Busco em mim um nexo, um sentido. Perdi tempos atrás minhas referências, meu significado. Fui atrás de algo ou alguém que pudesse me lembrar o que isso queria dizer, e me tiraram as palavras. Um longo inverno de sem fim, repleto de prosas inacabadas, de diálogos que viraram monólogos.


O espelho não refletia, a fotografia não revelava. Você levou contigo o mundo que eu queria conhecer, enquanto meu mundo ruía sem eu perceber.


Triste é a sina daqueles que sem conhecer o oceano das palavras, ficam restritos a descrever o que sentem com um pouco mais que um lago de frases prontas. Tiraste de mim a tristeza, mas levou também a poesia.


Agora tua suave lembrança é o engano que conto para todos, do mundo que construí com sonhos para nós. E nem nesse sonho você tomou seu lugar. Eis que a prosa retorna, como um sopro nos cabelos trazidos por um alguém diferente.


O ar canta novos verbetes, a lua traz novos motivos, viver nunca fez sentido, mas pelo menos a poesia tem o mesmo aroma de maresia do meu antigo lar.

Alicerce

Se me perguntarem hoje o que me move, responderei a falta de movimento alheio. Quais meus alicerces? Direi que estou recostada sobre um bambu, que se dobra e desdobra, porém teima em não quebrar. Persistência, resiliência, dizem. Teimosia, digo. Alongada, atinjo outros lugares sem sair da minha posição inicial. Não é inércia, é ponto de vista. Parada, já fiz mais que muitos daqueles que caminham.


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Voltando a postar! Muita coisa que passou, talvez poste o que tenho em rascunho, talvez não... Servirá como forma de desapegar, talvez? ou morrerá no limbo dos textos inacabados...