Busco em mim um nexo, um sentido. Perdi tempos atrás minhas referências, meu significado. Fui atrás de algo ou alguém que pudesse me lembrar o que isso queria dizer, e me tiraram as palavras. Um longo inverno de sem fim, repleto de prosas inacabadas, de diálogos que viraram monólogos.
O espelho não refletia, a fotografia não revelava. Você levou contigo o mundo que eu queria conhecer, enquanto meu mundo ruía sem eu perceber.
Triste é a sina daqueles que sem conhecer o oceano das palavras, ficam restritos a descrever o que sentem com um pouco mais que um lago de frases prontas. Tiraste de mim a tristeza, mas levou também a poesia.
Agora tua suave lembrança é o engano que conto para todos, do mundo que construí com sonhos para nós. E nem nesse sonho você tomou seu lugar. Eis que a prosa retorna, como um sopro nos cabelos trazidos por um alguém diferente.
O ar canta novos verbetes, a lua traz novos motivos, viver nunca fez sentido, mas pelo menos a poesia tem o mesmo aroma de maresia do meu antigo lar.
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