Estou em crise interna hoje, nada de bom vai sair. Nem texto, nem prosa. Muito menos boas palavras. É como se meus eus internos brigassem, tivessem tirado o dia para lavar a roupa suja. Tudo bem, mas...
Quando a razão e a emoção não conseguem centrar em um objetivo, somos vários e todos inúteis. Quando somos um sem objetivo, também somos inúteis. Passaremos a ser útil, inclusive para nós mesmos, quando unificados podemos ver claramente as prioridades.
Haverá dias em que você olhará pela janela e questionará sua missão. Haverá momentos em que o desânimo certamente o abaterá. Mas é seu objetivo e a distância percorrida que não te farão desistir!
Abraços... Vou procurar minha criatividade por aí!
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Flâmula
Flâmulas na parede do quarto. Lembro das cores, não lembro dos símbolos. Olhava o sol que entrava pela fresta da janela, avisando que o dia já ia tarde. Você rapidamente fechou-me os olhos: tempo não era para ser alguma ameaça ao fim deste dia, dizia. Sua perna me prendia: nada poderia romper aquele pacto de eternidade dentro do quarto.
Fome. Você me deixa as cobertas e sai em busca da cueca perdida. O torso nu à meia-luz revela as marcas da noite. É a pizza de ontem, mais gostosa que antes - muçarela com tomates, nossa favorita. A fome do corpo é a fome da alma. Somos cativos desse desejo primitivo de alimentar a carne.
Acaba a pizza, acaba o corpo, acabam as forças, acaba a luz. Você me chama: 2º round? Antes, tire o molho que cobre os lábios, limpe a boca. Sem guardanapo, vai na flâmula mesmo...
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Finda
O que vale a minha espera? De que é feito o teu desejo? Coisas efêmeras, voláteis, perecíveis no tempo e espaço. Não te pertenço, como não pertenço a ninguém. Nem posso dizer que tenho algo, pois o vazio completa o aterro sobre as emoções passadas. Não são flores, nem cubos de gelo, são detalhes de momentos iguais a esse, de infortúnios repletos de esquecimentos iguais ao teu.
Soube que as flores cortadas não conseguem esperar pelo nascer do sol. Soube também que os anseios dos amantes são os braços do ser amado, pela necessidade de sentir o calor do outro. E você repete o erro de achar que é eterno...
Não me traga flores. Não queira meus abraços. Antes tivesse aberto a porta, na hora em que chove... Eterno é um segundo de um desejo não realizado!
Soube que as flores cortadas não conseguem esperar pelo nascer do sol. Soube também que os anseios dos amantes são os braços do ser amado, pela necessidade de sentir o calor do outro. E você repete o erro de achar que é eterno...
Não me traga flores. Não queira meus abraços. Antes tivesse aberto a porta, na hora em que chove... Eterno é um segundo de um desejo não realizado!
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Toque-me
Toque-me. Fale comigo. Sinto seu corpo mesmo estando tão longe. Sinto sua alma. Nada além de troca de olhares, mas teu olhar se revela como uma janela para tudo aquilo que eu sempre quis. Não é amor à primeira vista, é a chegada de nossos dias de glória.
Minhas dúvidas se tornam certezas, tuas mãos em minhas curvas, toda a insegurança já era. Quero viver como os boêmios, festejando esses momentos, mas vivo como os poetas, que vivem para relembrar algo que nunca aconteceu. Fale comigo!
É a estranheza de nossos súbitos encontros, marcados pelo olhar inquisitivo, outro mais fraterno e até um mais adocicado, que alimenta minha esperança de poder desvendar os teus mistérios, tão atraentes! A esperança de que seja mais que um olhar. Toque-me!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Coincidências
Coincidências não existem. Nós as causamos, com ou sem intenção declarada. Assim como dois corpos não ocupam o mesmo lugar, uma ideia não habita duas cabeças. Podem ser parecidas, mas não iguais.
Eis que você aparece no mesmo lugar que eu, chega e me diz "Que coincidência!"... E tão logo tudo me parece um déjà vu, a repetição constante da mesma sequência de frases. Cavamos, meu amor, essa semelhança inaceitável de atitudes desde que nascemos. Padronizamos nossos comportamentos ainda no ventre, pela falta de espaço. E agora seguimos padrões de espaço pela falta de comportamentos diversos. A cama pequena, para sermos apenas dois deitados nela; a TV no centro, para aprendermos como pensar, e só tem água na torneira, não beberemos nada especial.
Coincidência então que seja assim para todos aqueles que estão padronizados como nós?
Abra espaço: quero deitar no tapete e juntaremos mais seis; joga a tv para o canto, para apoiar as flores; ponha uma bica de vinho, e beberemos a Baco, e iremos admirar a luz da lua, entrando pela janela. Inverta as coincidências em atos feitos pela nossa vontade de viver!
Eis que você aparece no mesmo lugar que eu, chega e me diz "Que coincidência!"... E tão logo tudo me parece um déjà vu, a repetição constante da mesma sequência de frases. Cavamos, meu amor, essa semelhança inaceitável de atitudes desde que nascemos. Padronizamos nossos comportamentos ainda no ventre, pela falta de espaço. E agora seguimos padrões de espaço pela falta de comportamentos diversos. A cama pequena, para sermos apenas dois deitados nela; a TV no centro, para aprendermos como pensar, e só tem água na torneira, não beberemos nada especial.
Coincidência então que seja assim para todos aqueles que estão padronizados como nós?
Abra espaço: quero deitar no tapete e juntaremos mais seis; joga a tv para o canto, para apoiar as flores; ponha uma bica de vinho, e beberemos a Baco, e iremos admirar a luz da lua, entrando pela janela. Inverta as coincidências em atos feitos pela nossa vontade de viver!
domingo, 26 de agosto de 2012
Amor
Amores amam amar o amor!
Não sei porquê mas adoram me questionar sobre o amor. Se nem os poetas conseguiram decifrá-lo, traduzi-lo ou quiçá gerar um manual de convivência, como posso eu explicar o amor? Não há sarcasmo que lhe retire a importância, nem lauréis que lhe vangloriem!
É tão súbito que surge seu significado. Dizia Machado de Assis, n'O Espelho, que há duas almas, a de dentro e a de fora. Pois se me exigem hoje uma resposta, eis o que digo: Amor é a tua alma fora de teu corpo - não te pertence, mas te transforma. Ocupa o tangível e o intangível, preenche as lacunas do teu viver. Mas é algo além de ti. Viver nada mais é que a eterna procura dessa parte que te completa...
Não sei porquê mas adoram me questionar sobre o amor. Se nem os poetas conseguiram decifrá-lo, traduzi-lo ou quiçá gerar um manual de convivência, como posso eu explicar o amor? Não há sarcasmo que lhe retire a importância, nem lauréis que lhe vangloriem!
É tão súbito que surge seu significado. Dizia Machado de Assis, n'O Espelho, que há duas almas, a de dentro e a de fora. Pois se me exigem hoje uma resposta, eis o que digo: Amor é a tua alma fora de teu corpo - não te pertence, mas te transforma. Ocupa o tangível e o intangível, preenche as lacunas do teu viver. Mas é algo além de ti. Viver nada mais é que a eterna procura dessa parte que te completa...
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Uma noite completa, uma viagem solitária por dentro dos pensamentos, um sonho. Eu estava exausta: o cansaço físico eleva a satisfação de uma noite bem dormida. Meu prazer era mental, o êxtase vinha de música e pensamentos. Saber que ele não sofrera era o elixir do momento. Suicídio, dor, sangue. Nada disso viria abruptamente interromper aquele encontro. Almas irmãs, plácidas em uma espécie de coexistência permitida pela separação. Nosso encontro mental foi também uma forma de união, jamais permitida pelo tempo ou espaço. Teu ser completo, em paz.
Lágrimas correriam, mas não há de te magoar por isso. Minha felicidade plena de sentir teu ser próximo do meu é superior a qualquer tristeza a vir me abater. Olhos da noite, pó no vento, fogo da lua, inspiração pura. Não é amor, é fraternidade. És anjo de criação, liberto, ser de luz.
Lágrimas correriam, mas não há de te magoar por isso. Minha felicidade plena de sentir teu ser próximo do meu é superior a qualquer tristeza a vir me abater. Olhos da noite, pó no vento, fogo da lua, inspiração pura. Não é amor, é fraternidade. És anjo de criação, liberto, ser de luz.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Acenda!
As forças não mais se juntam, elas se esvaem. E os cabelos caem. Tal qual os fios no chão, as forças extraídas nada mais formam do que lixo. E um lixo enorme, que se forma a cada dia em um monstro sanguessuga.
Depressão. Vem um composto de lágrimas que corre para preencher o vazio que os outros abrem. Mas quem deixou eles entrarem senão nós mesmos? É de vocês que hoje eu corro, para que não tirem de mim o nada que eu tenho. Inveja, ciúme besta. E esse discurso de superioridade de quem nada tem também... Hoje eu corro para bem longe de vocês. Corro com todo o meu amor. Corro pela minha vida.
Ah, a liberdade! Tem gosto da luz do sol e o perfume cítrico do homem que me beija. Cores quentes como o calor do fogo, eis a vestimenta da liberdade. Acenda a luz para espantar as trevas, meu amor! Acenda o fogo da liberdade para qual corremos tanto! Acenda, apenas, e dê adeus à escuridão. E ascenda de toda a ilusão...
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