quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Flâmula

Flâmulas na parede do quarto. Lembro das cores, não lembro dos símbolos. Olhava o sol que entrava pela fresta da janela, avisando que o dia já ia tarde. Você rapidamente fechou-me os olhos: tempo não era para ser alguma ameaça ao fim deste dia, dizia. Sua perna me prendia: nada poderia romper aquele pacto de eternidade dentro do quarto.

Fome. Você me deixa as cobertas e sai em busca da cueca perdida. O torso nu à meia-luz revela as marcas da noite. É a pizza de ontem, mais gostosa que antes - muçarela com tomates, nossa favorita. A fome do corpo é a fome da alma. Somos cativos desse desejo primitivo de alimentar a carne. 

Acaba a pizza, acaba o corpo, acabam as forças, acaba a luz. Você me chama: 2º round? Antes, tire o molho que cobre os lábios, limpe a boca. Sem guardanapo, vai na flâmula mesmo...

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