Já sabia porém que iriam ocorrer os manifestos. O Facebook avisou. Estranhei a paz no feriado, dia 30. Dia 31 eu estava em São Paulo, meu último dia de trabalho. Minha rota para o trabalho seria praça de guerra nos dias que se seguiram mas nada indicava isso. Voltei pacificamente naquela sexta para o meu apê, peguei minhas coisas e desci a serra.
Os dias que seguiram, para muitos foram dias de protestos. Para mim, dias de Candy Crush. As pessoas se rebelaram no facebook, saíram às ruas e eu permaneci no silêncio do meu quarto, como pedia meu psiquiatra.
E na quinta-feira maligna de 13 de junho eu estava em São Paulo, na psicoterapeuta. E sequer consegui chegar na região da Paulista, quanto mais no meu apartamento no centro, no começo da Consolação, junto ao metrô Anhangabaú e quiçá 10 minutos da famigerada Praça Roosevelt. É, eu ia para o meu apartamento mas me juntei aos vários sofredores do comboio da Imigrantes. E o Candy Crush estava lá, comigo. E o Facebook também. O 3G é sensacional na área da praça do pedágio (tinha que ser, afinal é muito caro o que se paga para as operadoras de telefonia e também de pedágio)!
As pessoas que foram no protesto, não desmereço, mas não foi você que protestou. Você endossou, mas não protestou. Seu "protesto" alimentou um demônio poderoso, de militares silenciosos loucos pelo retorno da ditadura. De aproveitadores, de políticos extremistas e de xiitas revolucionários. "Protestando contra o quê, pelo amor de Deus?" perguntavam. Respondia, ainda que em silêncio, "por não conseguirem formar brigadeiros no Candy Crush".
-PS: Meu apoio a todos vocês, estrategistas persistentes, que ainda não passaram da fase 100 do Candy Crush. O jogo já tem mais de 350 fases. Você chega lá!
-PS2: Meu apoio a todos que fazem brigadeiros no Candy Crush e já ultrapassaram seus chefes. Demitam-se, vocês podem mais!
-PS3: Não tenho nada haver com a King. Sério! E estou na fase 316, bjs!
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