segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A cura

Uma das frases que eu mais uso é "para se resolver um problema, é preciso admitir que ele  existe", que é uma frase simbólica, para lembrar de nunca varrer a sujeira para debaixo do tapete. É, emblemática, mas não é algo que eu consigo sempre fazer. Eu criei uma consciência em mim que me atrapalha algumas vezes: a Rute e a Raquel. Algo bipolar, mas ao mesmo tempo que sou eu mas não fazem parte de mim. Uma é quase uma doença; a outra, a cura.

Cura de quê? 

Aí leio o Horóscopo. Sou geminiana. Não, não acredito em horóscopo. Sou espírita, acredito em livre arbítrio. Acredito em anjos, gênios ou seres superiores ou inferiores que nos encontram pelas energias que vibramos. Acredito em aura, sou médium e tenho um círculo de proteção da natureza (dos tempos de wiccan). Mas leio o horóscopo. Que eu sempre digo: "não sou eu quem segue o horóscopo, o horóscopo é que me segue". 

Mas voltemos. Li o horóscopo: "Questões familiares, privadas e emocionais passarão por uma nova etapa, geminiano. A Lua nova estimula uma espécie de cura em família e em questões que envolvem os sentimentos. Fase positiva para a regeneração de energias. Reencontro consigo."

Esse é meu horóscopo para hoje, mas já é algo que está acontecendo desde ontem. Dois horóscopos dizendo que esse novilúnio será do meu renascimento, da cura. "Ah, coleeega", como diz dona Fernanda, tempos de colheita na minha vida, eu já sabia! Mas me incomoda falar em cura. Isso tem outro significado pra mim.

Cura de quê? Eu não estou doente!

Ops, é aí que paramos. Não, doente eu não estou, não pego gripe faz tempo, minha dor nas costas é mal jeito e resultado da variação de peso (não relatei mais minha dieta porque estou debilitada emocionalmente).

Ah, aí sim, algo que precisa de cura: o coração! Sou independente, preciso da minha liberdade. Sempre foi assim, em tudo. Aí eu me sinto mal, quando de repente passo a gostar de alguém. Esse gostar nem sempre tem haver com amor de homem e mulher, mas com a minha vontade de ter essas pessoas perto.

Curar? Como?

Machucados e feridas não curam, fecham! Cicatriza, mas continua uma marca lá. Mas se a marca for pequenina, não deixar uma quelóide, a gente pode se dizer "curado". Então, como fechar essas feridas? Distância? Substituição? Não, até porque não vai adiantar. 

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"Quando a paixão não dá certo
Não há porque me culpar
Eu não me permito chorar
Já não vai adiantar
E recomeço do zero sem reclamar"
(Coração Pirata - Roupa Nova)

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É, eu lembrei dessa música. Se você espera que esse post termine com uma forma de cura, esquece. Pode fechar a página. Mas se você veio para saber como as cicatrizações aconteceram, termina de ler.

Sou mestre nelas. E posso te dizer com a frieza de médico de UTI: não se morre de amor, não se morre pela quantidade de feridas, mas pelo quanto você deixa elas sangrarem, e pela profundidade que elas acabam tendo. Amor não machuca, o nome disso é masoquismo! Amor você não dá, ele fica dentro de você. Comparo com o meu abajur: ele recebe energia elétrica, e me dá luz. O amor é energia, você decide como e com quem gastar. A "pseudo cura" é justamente não dar o amor a quem te faz sofrer. Desliga! Ah, é difícil - e eu não vou dizer que é fácil - mas você consegue. Todo mundo consegue. Prioridades são necessárias, ninguém é a última bolacha do pacote!

E falo isso justamente porque, voltando ao início do post, eu tenho a Rute, meu lado emocional, todo problemático, e a Raquel, sinistra, muito racional. Nesse momento estou Raquel, "curando as feridas"... como? Fazendo sangria.

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Meet me on the darksideEncontre-me no lado escuro
enter from the insideentre pelo interior
meet me on the darksideencontre-me no lado escuro
enter from the insideentre pelo interior
he left me overseasele me deixou no exterior
I turn to a mouth I could pleaseDirijo-me a boca que eu poderia dar prazer
everyone has a dark sidetodo mundo tem um lado escuro
why don't you like mine?por que você não gosta do meu?

(Meet me on the Dark Side - Melissa Auf Der Maur)

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Fico por aqui. Ah, amigas, façam sangria: já sangramos uma vez por mês e não morremos, não vai ser isso que vai te matar. Em um tempo próximo eu explico como se faz sangria de sentimentos.

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