domingo, 6 de maio de 2012

Borboletas

Queria tocar seus cabelos. Acordei com uma sensação amarga na boca que tinha certeza só passaria ao tocar seus cabelos. Seu nome, seu corpo, seu suor. Mas eu precisava dos cabelos. Poderiam ser pelos, mas tinham que ser seus. Meu olhar perdido no vazio: você não está. Meu apetite estragado pela ansiedade de sentir a textura dos fios louros sobre tua nuca.

Permiti-me ligar o computador e mandar-lhe uma mensagem, talvez me respondesse. Não, estava ocupado demais. Ainda assim eu me nauseava. Até comi, achando que o simples desjejum me deixaria melhor. Mas não, fiquei pior. O bolo de comida no estômago ricocheteava - mas que bela indigestão! Fruto de uma indisposição matinal? Não... Era a segunda vez seguida que me sentia mal.

Lembrei então dos seus cabelos: cuidadosamente despenteados, braços super bem torneados, a tatuagem, a barba. E o abraço. Não muito bem dado, mas foi nesse abraço, que cerquei sua cintura, e te envolvi. Você não é tímido, talvez entendesse a minha linguagem. Sentia meus braços na curvatura ideal para cercá-la novamente. Mas você não está aqui. Sinto o enjoo repetir. Agora sei: escrevo, porque se abrir a boca, sairá borboletas cheias de poesia.

Fechei meus olhos e lembrei dos seus, contornados pelos fios que desciam seu rosto. E o frio me correu a espinha: você pode não estar ao meu lado, mas já possui lugar em minha alma. Lindos olhos... Percorrerei o  mundo para vê-los novamente? Não sei. Mas tudo que eu queria era me ver refletida nos olhos seus.


Que lindos olhosQue lindos olhos Tem vocêQue ainda hojeQue ainda hojeEu repareiSe eu reparasseSe eu reparasseHa mais tempoEu não amavaEu não amavaQuem amei....
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Um sentimento caótico é a paixão. Arrebatadora, feroz, letal. E que dá todo o sentido da vida. Beijos!

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