quarta-feira, 16 de maio de 2012

Idades erradas

Eis uma situação recorrente. Você certamente já se deparou com adultos infantis e crianças adultas. Eu também e hoje eu encarei essa situação como que é atropelada por um objeto muito grande e rápido - um disco voador?

A situação: uma pessoa, no avançado da sua terceira década de vida, resolve se comportar como uma criança no jardim de infância. Birra era o menor dos problemas. Mesquinharia. Intromissão. Chatice mesmo. Eu comecei a achar que eu era o problema. Afinal, por defeito nos outros é fácil. Eu ponho o defeito em mim primeiro. Fiquei quieta, só analisando. Dia depois, pergunto para os outros: que acha de fulano? Os comentários foram os piores - bom, então não é comigo. Bom nada! Se o problema fosse comigo, eu resolvia, quando cai na mão dos outros, depende muito da vontade alheia e ah, meu querido, esperar a atitude do outro cansa!

Conversava isso com uma amiga mais nova que eu, fisicamente (5 anos de diferença?) e mentalmente (é, por vezes eu me considero uma idosa, de uns 70 anos)... Eis que me surpreendo: "Fulano nunca pertenceu ou quis entender nossa geração, é alienado e preconceituoso. Só pela fala, você já percebe a resistência à novidade e o que é diferente. A gente, com o nosso modo de vida, sempre incomodou". Ué, eu não percebi? Aonde estava meu tato observador?

A verdade é que hoje o pessoal que está na média dos 23 tem uma percepção diferente de quem tem seus 28 e ambas diferentes de quem já passou seus 35. Existem exceções, claro, mas a grande maioria das pessoas não conseguem entender o modo comportamental. O pessoal mais velho tem uma restrição de modus operandi dessa geração, não conseguem entender o senso de urgência, o imediatismo e, porque não dizer, a estética de vida atual. Tentam se adequar, mas não entendem como funciona esse processo na mente do mais novo. Ora, você nasceu quando tinha troca de moeda como quem troca de roupa, hoje o povo realmente troca de roupa, marca, cantor favorito... Se você não tinha opção de troca, agora tem. Troque! Reinvente-se!

Eu entendo o mais velho, mas penso diferente. O mais velho não me entende, e tenta impor. E aí, essa situação não é recorrente? É uma crise filosofal. Mas já que não se trata dos meus pais, desculpa aí se eu não tenho paciência para ladainha de criança de quase 40 anos.

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Pessoal, eu peço desculpa por isso. É um desabafo, uma crítica. Mas oh, produzi algumas micro prosas... Sorria!

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