quarta-feira, 9 de maio de 2012

O tatuado

Eu olhei logo cedo o relógio. O pensamento é algo cruel, não estava na mesma sala. Ele e sua tatuagem, o pensamento estava na tatuagem. Um desenho simples, tribal, mas que o dava uma certeza de si mesmo, uma imponência. Antes, o desdém acompanhava com um choque o percorrer dos traços delineados. Agora, olhos percorrem o vazio tentando remontar o quebra-cabeça invisível.

Seu olhos expressivos retratados em uma foto simples, hipnotizavam. Deitado, agarrava a cintura de quem admirasse. Antes disso, conhecia seu corpo, cada músculo, cada nervo, cada ponto erógeno. Arrepiava-me constantemente só pela presença inquisitiva daquela imagem. Música de piano aliviavam os meus nervos tensionados, mas minha anatomia sentia a falta de continuidade.

Sentir e não ter é horrível. Insaciável desejo. Pernas contra pernas, mãos, peitos, cabelos, suores. O pior é admitir que ao encontro de duas vontades antigas, o prazer seria enfim degustado. Não era o cardápio de hoje. Sua boca tão suavemente desenhada, não estava na mesma sala. Para hoje, o sol pela janela e um olhar desolado. Onde está você, tatuado?

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Dia longo de internet falhando... Mas agora vai!

4 comentários:

Anônimo disse...

Seria euzinho!! Não sabia que gostava de tatuagens,
tens vontade de ter uma também?

Vivz K. disse...

Não sei se seria vocêzinho, sr. Anônimo... Se te faz feliz, pode ser! Enfim, respondendo: vontade eu tenho, "não posso" (complexo explicar, uma hora posto sobre isso).

Anônimo disse...

O que tatuaria?

Vivz K. disse...

A rosa no braço, a cruz no peito, o olho e chapéu do Laranja Mecânica na perna e a rosa dos ventos na nuca... E é, não tenho nenhuma, mas teria quatro. Para saciar a vontade, faço com henna, maquiagem ou arrumo umas bodypaintings e faço desenhos - Lavou, já era!