quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Da peleja

Trago minh’alma ferida de morte
De um corte profundo que atravessa o corpo
Sangra a alma, escorrem os sentimentos
Se esvai a vida e todo o desejo
O corpo não luta,
Movimentos aumentam o sofrer
A morte é certa,
Para esse amor que tanto faz doer

Tu me apunhalaste com adaga,
Quando te trouxe perto do coração,
Cortando a carne e a alma.
E como se não bastasse eu te valorava,
Fiz alguns poemas, prosas e canções,
Falando desse amor, dessa paixão.
Não que me arrependa, não!
Mas ai que tristeza não poder
Falar ao vento teu nome,
Não poder recitar meus versos
Pois falarão de algo que já se foi,
Decrépito, arruinado e decadente.

Enterro com eles minha rima,
Meus sonetos e minhas canções.
Tinha dado vida à revelia,
Por ti instigada, motivada.
Agora nada há de fazer sentido
Para continuar a falar de algo
Que já se acabou. 

Não é desprezo ou falta de esmero,
Mas não tenho força para inventar
Algo que tanto imaginei
E que tanto quis cantar.





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