Texto original de 2016
Homem é não-monogâmico na cama, mas na cabeça é de uma pessoa só. Demorei muito tempo e muitos relacionamentos para poder afirmar isso. Talvez você diga isso é óbvio ou discorde. A verdade dos relacionamentos não-monogâmicos, ou poliamorosos, é sempre em torno de um casal principal. Das duas, uma: ou é brinquedo sexual ou é assistência técnica. Nos trisais, de hierarquia declarada, o fetiche criado em cima do terceiro parceiro, namorado da entidade casal. Quando banca o desconstruído, não-hierárquico, pode crer que a coisa esfriou, e a não-monogamia virou tentativa de salvar o relacionamento.
Não falo de nenhum relacionamento meu, mas de todos ao mesmo tempo. Porque na tentativa de fugir do complexo de amante, do "só sexo", eu vi diversas fórmulas, todas com o mesmo dilema, a centralização da expectativa afetiva do parceiro masculino. De longe, o mais sincero foi um relacionamento atual meu que disse "não consigo", quando perguntado sobre sua capacidade de amar simultaneamente duas pessoas. "Sexo sim, afetivamente não".
Depois desse momento, rompi ou diminuí todas as minhas relações. Não consigo lidar com a ideia de me relacionar sexualmente com alguém que não sinta nada por mim e nem eu sinta algo pela pessoa. É um coisa minha, parte da minha demissexualidade. Eu perco a vontade. E quando me toquei que eu estava com os restos sentimentais, eu brochei.
O pior de tudo é que eu me toquei do que acontecia dando um toque em outra pessoa. "Cuidado com quem centraliza as expectativas, viram chantagistas emocionais da pior espécie". Sem perceber, eu, que monogamicamente já tinha passado por essa experiência, estava me envolvendo com pessoas assim. O maior problema é que isso é o modus operandi padrão masculino. Na prática, ele vai centrar os problemas do cotidiano em um(a) parceir(o/a). Se ela for você, já sabe: abre o olho que vem chantagem. Se for na outra pessoa, seja bem vinda ao complexo da amante. Sim, complexo da Concubina, secundária, reconfigurado para os tempos atuais.
E não se trata de ciúmes, do velho ciúmes heterossexual. Aliás, por mais que se debata o ciúme feminino, ele encontra alimento e terreno fértil no comportamento masculino. Estou apontando um comportamento egóico masculino, machista, escondido no engodo da não-monogamia. Alimentar o sentimento alheio e depois dizer que não consegue dar conta. A falta de responsabilidade afetiva é frustrante!
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