terça-feira, 8 de setembro de 2020

De uma porta fechada

Hoje me peguei pensando sobre todas as vezes que perdi. Uma briga, uma despedida, uma demissão, um pedido de demissão, um término de namoro, um roubo. Quantas vezes conseguimos dizer adeus para situações que estamos acostumados e que sem saber nunca mais iremos repetir? 


Fechei os olhos e reabri. E repeti. Apenas para ter certeza que poderia fechar e reabrir várias vezes meus olhos. Olhei minha mesa. Será que tenho certeza mesmo que estarei aqui amanhã? Não, não consigo dizer adeus. Nem para uma mesa, que sequer me pertence.


Por alguns instantes, hesitei. Hora de ir embora. Já vai tarde a hora. Caminhei para longe da mesa, com o peso do dia nas costas. Apaguei a luz.


“O último a sair fecha a porta!”, lembrei. Não, hoje não vou fechar não! 

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